terça-feira, 14 de julho de 2020

Dragon Ball GT (1996) - É bem melhor do que parece


"Seu sorriso é tão resplandescente
Que deixou meu coração alegre
Me dê a mão
Pra fugir desta terrível escuridão..."


 Odiada por grande parte da humanidade, Dragon Ball GT se propôs a uma tarefa arriscada, dar um encerramento a máquina de fazer dinheiro popular série de Akira Toriyama após o absurdo sucesso de Dragon Ball Z. Com diversos altos e baixos, GT dividiu as opiniões do público e até hoje gera discussões, ainda mais após o lançamento da série Super que também procurava dar continuidade a fase Z. Não pretendo ficar fazendo comparações aqui ou mesmo dizer qual animê é melhor, minha ideia aqui é tentar mostrar as qualidades que Dragon Ball GT possui e que mesmo com seus defeitos, vale a pena ser conferida (ou revisitada) e é na minha opinião, um encerramento digno de Dragon Ball.


 Recapitulando, o mangá Dragon Ball começou a ser publicado no Japão em 1984, dois anos depois ganhou sua versão animada através da Toei Animation. Conquistando grande sucesso, a série teve seu auge com Dragon Ball Z, que cobria a fase final do mangá. Com o fim da saga Majin Boo, Toriyama não tinha mais interesse em prosseguir com o mangá, exausto após cerca de 10 anos trabalhando com a história ele à encerrou. MAS, a Toei Animation tinha outros planos em mente, ela acreditava que a série ainda tinha potencial de seguir em frente (leia-se cifrões) e decidiu dar inicio a uma produção nova feita exclusivamente para tv.

 Por não ter sido baseada em nenhum mangá, muitas pessoas afirmam, erroneamente, que Akira Toryiama não teve envolvimento com a produção do animê. O que está longe de ser verdade. Pode-se argumentar que ele não a idealizou da mesma forma que as fase anteriores, já que desta vez o projeto partiu do estúdio, ou mesmo que ele não foi o cara que realmente capitaneou o negócio, mas ele estava lá. Ele esteve envolvido principalmente no início do projeto, quando estavam estabelecendo as bases do que viria a se tornar a fase GT (ao lado uma arte conceitual desenhada pelo próprio Toriyama). Quando a série estreou (em 1996 no Japão, em 2002 no Brasil) gerou as mais diversas reações do público, alguns se animaram com as novas aventuras, outros ficaram indiferentes e enquanto outros acharam um lixo, com o tempo a produção ganhou mais popularidade, mas jamais conseguiu repetir o fenômeno que foi DBZ. Sinceramente, não me surpreendo com esta recepção polêmica, afinal, os primeiros episódios de Dragon Ball GT destoam muito daquilo que a maioria das pessoas estavam acostumadas com a fase Z. Mas é justamente aí que reside aquilo que na minha opinião é uma das qualidades do animê.

 Não é preciso ser muito atento para perceber que o tom da história de Dragon Ball mudou drasticamente ao longos dos anos, o próprio Akira Toriyama antes de ser associado as histórias de Goku, era conhecido por seus trabalhos voltados ao humor. De uma história de aventura e comédia despretensiosa, passou a ser sinônimo de lutas longas e épicas. Logo, ao DBGT tentar dar uma espécie de volta as origens, ou melhor, tentar ser um híbrido das duas séries anteriores como forma de encerrar a saga é uma proposta bastante ousada e até louvável, dedicar os primeiros episódios com a busca das esferas do dragão era uma forma de mostrar que eles estariam respeitando as raízes da obra. Eu devo admitir que GT não atingiu o mesmo nível de senso de humor afiadíssimo série original tinha, mas ainda assim está longe de ser uma porcaria como tantos dizem por aí, se for encarada sem levá-la muito a sério, que acredito que tenha sido a intenção dos realizadores, dá pra se divertir numa boa.

 Nos episódios seguintes Dragon Ball GT segue um ritmo mais próximo ao Z, afinal, independente de qualquer coisa esta ainda era a fase mais popular. Avaliando estas sagas individualmente, devo dizer que eu acho a Saga do Baby a melhor, principalmente graças a este vilão, que na minha opinião teve uma construção cuidadosa para passar a ideia de que ele realmente é uma grande ameaça que vai crescendo aos poucos, desde a ligação no passado com os Saiyajins, até como ele, pouco a pouco, vai dominando a terra para reerguer a sua raça. Tudo isso eu acho que foi muito bem trabalhado dentro da história de GT. Em relação as sagas seguintes creio que a do Super N° 17 é que a possui menos cuidado no desenvolvimento, deixa impressão de que a história é em alguns momentos contada às pressas, mas mesmo assim possui coisas interessantes. O plano de reviver os vilões antigos, apesar de não ser usado da melhor forma que poderia, rende alguns momentos e referências bem legais, como a rápida aparição da força Red Ribbon ou o reencontro de Vegeta e Nappa. Quanto ao próprio Super N° 17, se por um lado ele não é tão bem desenvolvido como personagem, pelo menos cumpre bem a sua função de vilão porradeiro, no que se refere a ação, não há muito o que reclamar.

 Por último temos a Saga dos Dragões Malignos que acredito que fica no meio termo entre as duas anteriores, traz um conceito bastante legal que é a ideia de que energias negativas se acumularam nas esferas do dragão após terem sido usadas sucessivas vezes e com isso invocando criaturas malignas de cada uma delas, mais uma vez as esferas ganham destaque em GT. Infelizmente, apesar da premissa bacana, também não explorou todo o seu potencial já que dos 7 dragões que surgem, eu diria que apenas os de 4, 3 e 1 estrela possuem alguma relevância ou desenvolvimento significativo, em especial o de 4 estrelas que demonstra uma personalidade forte e honrosa e o de 1 estrela, que representa uma ameaça real e imponente, além de ser o grande vilão de Dragon Ball GT. Novamente, pode até não apresentar o máximo que podia com a trama mas não chega a ser ruim, sendo que esta saga ainda funciona bem como um ciclo que se fechava, já que era mostrado as consequências daquilo que ocorreu ao longo da trama de Dragon Ball.

 Agora, com toda certeza, o fator mais lembrado da fase GT, além da música de abertura, é a marcante transformação em Super Saiyajin 4, não só pelo aspecto visual (que realmente é foda pra caralho), como também pela própria ideia por traz deste nível que resgata a transformação no macaco gigante Oozaru e as origens selvagens da raça guerreira. Creio que o SSJ 4 só não é mais popular que o nível 1 e olhe lá, não é difícil encontrar pela internet pessoas que odeiam Dragon Ball GT com todas as forças mas que ainda assim reconhecem o Super Saiyajin 4 como uma ótima transformação.

 É importante deixar claro que eu reconheço os defeitos do animê, além do fato de que nem sempre Dragon Ball GT explora todo o potencial das histórias e conceitos que apresenta como eu disse anteriormente, GT ainda peca por não conseguir equilibrar o "tempo de tela" de cada personagem. Infelizmente, durante a maior parte do tempo a série coloca o protagonista Goku como o centro das atenções, sobrando pouquíssimo espaço para que os outros personagens possam brilhar. Não que os coadjuvantes não tenham momentos de destaque como a fusão de Majin Boo e Ubu, o sacrifício de Piccolo ou o momento em que a Nº 18 enfrenta o Super 17, porém, é inegável que estes são em menor quantidade que em Dragon Ball e Dragon Ball Z.

 Mas, a coisa que eu mais gosto de DBGT é porque ele de fato se propõe a finalizar a saga de Dragon Ball. Sempre me chamou a atenção esse caráter de ciclo que se fechava, começando pelo visual dos personagens, que em sua maioria, tinha os sinais da idade bem nítidos em seus rostos. Tirando um ar de imortalidade e deixando bem claro que em algum momento, a história chegaria ao fim. Outro ponto muito bacana é o teor nostálgico que a série mostra em vários momentos, passando por pequenas pontas, referências , diálogos e por aí vai. Poxa até o Nam, lá do torneio da primeira fase de Dragon Ball faz uma rápida participação. GT reverencia seu passado com um olhar carinhoso, mas sem jamais negar que o tempo passou.


 E então chegamos ao final da série, que gera muitas discussões, mas devo dizer que eu considero um belo encerramento para história especialmente os seus minutinhos finais. Tanto a resolução da batalha final quanto a própria conclusão da série são deixados para interpretações, porém apesar disso eu ainda considero o fim definitivo de Dragon Ball, o fato dele ter sido deixado em aberto dá dor de cabeça em muitos fãs até hoje, visto que sequer o destino de Goku fica muito claro, mas ainda assim é um final extremamente simbólico, colocando o protagonista em status de lenda de forma definitiva, até aparece uma estátua dedicada á ele, e a despedida que dele ao Kuririn é, na minha opinião, uma das cenas mais belas de todo DB. Novamente, olhando para trás de forma nostálgica, sendo não só uma despedida entre os personagens, mas com o próprio público que acompanhou todas essas histórias. Seria muito mais fácil estabelecer aquele típico final aberto para novas aventuras no futuro, mas não é isso que se encontra aqui, a série tem coragem de se encerrar com um "The End", literalmente.

 Sei que muitas pessoas não gostam de Dragon Ball GT e não vão mudar de opinião graças ao que eu disse, nem é essa minha intenção de fato, só quero mostrar que acho injusto o desprezo que muitos têm pelo animê, muitos a ignoram agora após o lançamento de Dragon Ball Super, pois o enredo de ambas se contradizem cronologicamente, eu sinceramente não dou muita bola para isso (mas esse assunto renderia outro post). Se você tiver uma mente mais aberta, recomendo que dê uma chance ao GT, não vai ser a melhor coisa que você vai ver, mas isso não significa talvez não se divirta.


 "Este texto reflete apenas a minha opinião, se você discorda, acha que me equivoquei em algum momento ou tem algo à acrescentar sinta-se à vontade para se expressar nos comentários, mas com educação."

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